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Aparência e Realidade – Uma visão corporativa da análise de Platão.

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De Bernt

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Permitam-me iniciar este texto, dedicado aos meus e minhas colegas de Recursos Humanos, com extensas congratulações a todos que, cotidianamente, equilibram todos os aspectos intangíveis em suas organizações, como clima, motivação, sucessão & carreira, conflitos de gerações, competitividade interna e externa, e muitos outros, todos cobertos com o atual momento econômico que os potencializa negativamente, agindo para transformar crise em oportunidade, conflito em crescimento e desconfiança em confiança, tendo ainda tempo para ler algumas linhas que possam contribuir com seu próprio desenvolvimento.

Meu objetivo é simplesmente compartilhar uma análise de comportamento, feita por Platão (427-347 a.C.), onde ele esclarece aspectos de “Realidade e Aparência” e como as duas são confundidas e defendidas a ponto de se tomar atos extremos em defesa de crenças. Apenas crenças.

Imaginem que alguns homens moram, desde a menor infância, em uma caverna e estão acorrentados de tal forma que não conseguem se virar ou olhar para trás, tendo uma única luz de uma fogueira atrás deles. Entre estes homens acorrentados, virados para as paredes da caverna, e a fogueira, há um caminho onde outros homens passam portando estátuas e objetos, projetando as sombras na parede à frente dos acorrentados.

Não importa se todos (os acorrentados ou os com os objetos) estão em silêncio ou não. O que importa é que a realidade que os homens acorrentados conhecem são as imagens projetadas pela luz da fogueira, desenhando sombras na parede diante de si.

Agora imaginem se um dos acorrentados se libertasse e pudesse ver inicialmente a caverna toda e que nela há uma passagem para fora. Ele escalaria essa passagem certamente com dificuldade, pois nunca havia saído de seu lugar e nada conhecia além das sombras que lhe permitiam ver. Quando estivesse fora, à plena luz do Sol, não é de crer que daria gritos lamentosos e brados de cólera? Chegando à luz do dia, olhos deslumbrados pelo esplendor ambiente, ser-lhe-ia possível discernir os objetos que o comum dos homens tem por serem reais? Ele descobre então que TUDO o que havia visto até então não era a realidade propriamente dita. Tudo o que vira até então apenas PARECIA ser realidade.

Se, enquanto tivesse a vista confusa – porque bastante tempo se passaria antes que os olhos se afizessem de novo à obscuridade – tivesse ele de dar opinião sobre as sombras e a este respeito entrasse em discussão com os companheiros ainda presos em cadeias, não é certo que os faria rir? Não lhe diriam que, por ter subido à região superior (fora da caverna) cegara, que não valera a pena o esforço e que assim, se alguém quisesse fazer com eles o mesmo e dar-lhes a liberdade, mereceria ser agarrado e morto?

Mas, mesmo assim, ele volta rapidamente para dentro da caverna a fim de contar tudo o que havia descoberto, mas seus amigos não acreditavam e passaram a desprezá-lo e ignorá-lo, chamando-o de louco. Então, resolvem matá-lo. = Platão. A República. (Adaptado).

Particularmente, creio que Platão escreveu esta análise por ter, pessoalmente, sofrido o preconceito daqueles que não conseguiam enxergar o que ele propunha discutir, mas isto é uma outra análise. Vamos nos concentrar nos aspectos corporativos:

Quantos são os profissionais que conseguem se soltar das correntes das regras, políticas, procedimentos, crenças e até culturas corporativas e enxergar o mundo como ele verdadeiramente é? Estes, com raras exceções, são taxados de inconsequentes, intrometidos, lunáticos/sonhadores e, mais recentemente, millennials. Sim, não são raras as vezes em que vejo organizações tentando “enquadrar” seus profissionais que “pensam fora da caixa”, ou seja, que pensam diferente do padrão corporativo implantado pela cultura organizacional. Em muitas companhias a flexibilidade é muito baixa e a tolerância menor ainda e todos sabem o como e o porquê isto ocorre onde trabalham.

Cabe a nós, “gestores de potencial e performance”, agirmos na retirada dos grilhões (cultura organizacional improdutiva), no apagar da fogueira (realidade limitada), e retirá-los das visões limitadas das sombras (em seus computadores e procedimentos) e, indicarmos caminhos na subida dos ex-prisioneiros corporativos à superfície, para obterem pleno desempenho de todas as capacidades profissionais.

A “realidade” para cada indivíduo, na verdade, é como o mundo lhe ocorre, a partir das conclusões pessoais que tira daquilo que percebe. Assim, alimente os indivíduos, e não os grupos, com a realidade que quer construir em sua organização. Construa um futuro que se possa realizar e em que se possa acreditar. Este é um trabalho longo que demanda persistência e disciplina, mas que vale a pena.

Sempre haverá aqueles que preferirão ficar na caverna, em sua ignorante zona de conforto, onde a segurança lhe parece ser o local certo a estar. Não se frustre e limite seus esforços em dar luz do dia a quem a quer e a busca. Mantenha seu propósito naqueles que enfrentam o caminho da subida e os riscos da incerteza, iniciando pelos que o procuram ou procuraram para sair de onde estão. Os inconformados, bem guiados, podem ser os maiores aliados de uma organização.

Ao fim, você verá que a minoria saiu da caverna e que os que ficaram buscarão manter a todos onde estão e é neste momento que você perceberá quão importante é ter profissionais de recursos humanos capazes de enfrentar o status quo com a convicção de que o amanhã é construído e não esperado.

Mais que ter um emprego, ter um propósito é o combustível que move as engrenagens de sua vida e do local onde você trabalha e, fazer a diferença no futuro de sua organização, pode ser um bom caminho a se seguir.

Desejo força e foco a todos que, com empenho e intenções limpas, continuam diariamente a busca da realização pessoal através do sucesso dos outros, bem como aqui publicamente agradeço àqueles que o fizeram por mim.

 

 

Demetrius Dellê
Gerente Sênior de Recursos Humanos para América Latina
Hexion Inc.

Demetrius é Administrador pela FAE Business School, com MBA pelo ESADE de Barcelona, com formações de desenvolvimento organizacional como AMANA-KEY, ADIGO, VANTO, dentre outras. Atua em Recursos Humanos em papéis estratégicos em empresas multinacionais na América Latina.

 

 


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